“Não iria negociar pelas costas”, diz o jornalista Márcio Gomes

O jornalista Márcio Gomes pregou um susto na Globo ao comunicar, na semana passada, a mudança para a CNN Brasil, onde comandará um novo canal de streaming. A troca, após 24 anos, tem belo motivo: ele ganhará na faixa de 100 000 reais mensais. Sua versão dos fatos.

Como a Globo reagiu a seu pedido de demissão? A CNN me chamou para um chá, e eu avisei a Globo. Não iria negociar pelas costas, jogo limpo. Outras emissoras já haviam feito contato, mas nunca levei adiante. Dessa vez foi diferente. A Globo passou a me ligar todos os dias com contraofertas, mas nenhuma delas foi suficiente. Eles não tiveram interesse em cobrir o salário oferecido.

Ultimamente, o senhor teve destaque na cobertura da pandemia na Globo. Isso não pesou contra a mudança? Eu estava muito confortável na emissora. O Combate ao Coronavírus foi um programa que me tirou da zona de conforto. A primeira máscara que ensinaram a fazer na TV fui eu que fiz, a primeira morte registrada foi informada no programa. As pessoas falaram que me tornei o rosto da pandemia. Acho exagero, mas não ligo. O problema é que não haverá um programa desses a cada seis meses. É legal fazer o básico, mas não é para mim.

Publicado em VEJA de 28 de outubro de 2020, edição nº 2710

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