“Faça sua selfie financeira”, recomenda Nathalia Arcuri

Qual o maior vilão na hora de lidar com dinheiro? O erro do brasileiro é acreditar que ele não é capaz de aprender. Infelizmente, crescemos pensando que nossa vida é pagar boleto, que se eu nasci sem dinheiro, logo vou morrer assim. E não é verdade. Hoje, o acesso ao aprendizado sobre finanças está mais democrático. Quero colocar na cabeça do brasileiro que ele pode ser mais do que um pagador de boletos ou endividado, que é possível ascender socialmente, que a Mega-Sena não é a única solução para mudar de vida, e o caminho para isso é adquirir conhecimento.

Nas suas interações com o público, dá para notar se a crise econômica despertou um maior interesse no brasileiro em cuidar das finanças? Sim, aumentou muito. Foi perceptível não só nas minhas redes, mas também a partir de dados de plataformas variadas, entre elas o YouTube. Houve uma corrida por informações sobre renda extra, como ganhar mais dinheiro, como investir melhor.

Por exemplo? Mensalmente, fazemos no meu canal uma pesquisa que reflete o Brasil. A busca por reserva de emergência aumentou de 37% em janeiro para 51% em junho. Vi muitas pessoas arrependidas por não ter feito uma reserva, que revelou sua importância com o aumento do desemprego e a necessidade de ter dinheiro guardado para crises.

Seu novo livro, Guia Prático Me Poupe! — 33 Dias para Mudar Sua Vida Financeira (Sextante), promete uma nova consciência em curto tempo. É possível? Sim. A ideia principal é transformar pessoas endividadas ou estagnadas em investidoras em quatro semanas. O método propõe tarefas diárias. O primeiro passo é analisar sua situação atual, como costumo dizer, fazer uma “selfie financeira”, para, em seguida, identificar todas as fontes de receita e saber o que são ativos e passivos — nesse momento, geralmente, as pessoas descobrem que passaram mais tempo na vida adquirindo passivos do que ativos. O próximo passo é ganhar mais dinheiro, seja pedindo um aumento, seja encontrando uma fonte de renda extra. Por fim, uma das metas é que o leitor aprenda a dividir sua renda para investir 30% do que ele ganha.

Como ter mais saúde financeira em 2021? É preciso agir de modo diferente. Não dá para ter uma vida melhor fazendo o que sempre fez, como empurrar dívidas com a barriga, esperar o 13º, ficar estagnado no mesmo ambiente. É preciso entender quais são suas paixões, aptidões e como você pode monetizar o que faz de melhor. Para ter uma saúde financeira, é necessário ser uma pessoa melhor — mas melhor para você mesmo, não para os outros.

Como assim? Vale questionar: estou vivendo de acordo com os valores que acredito serem os mais importantes? Ou estou vivendo uma vida de aparências, de Instagram, deixando-me levar pela régua de pessoas ao redor? É preciso descobrir o que, de fato, é importante para mim. Então, a vida começa a acontecer.

Publicado em VEJA de 13 de janeiro de 2021, edição nº 2720

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