Quarta edição do evento gratuito celebrou criadores do Distrito Federal no Museu Nacional da República, unindo moda, música e patrimônio cultural
Brasília teve, entre os dias 10 e 12 de junho, um dos eventos mais relevantes do calendário de moda local dos últimos anos. O Metrópoles Fashion & Design, conhecido pela sigla MFD, ocupou o Museu Nacional da República com uma programação gratuita que misturou desfiles, exposições, oficinas e shows. A quarta edição do festival reuniu mais de 40 expositores, entre marcas autorais, brechós e multimarcas, consolidando a capital federal como ponto de encontro para quem acompanha moda independente no país.
A dúvida que costuma surgir quando um evento desse porte termina é sobre o seu real impacto: ele se mantém apenas como vitrine pontual ou contribui para fortalecer a cena de moda local de forma duradoura? A resposta passa por entender como o MFD se estruturou ao longo de suas edições e o que ele representa para os criadores envolvidos.
Moda e arte dividem o mesmo espaço no Museu Nacional
A programação do MFD 2026 foi pensada para unir moda, design e expressões culturais variadas dentro do mesmo espaço físico. No dia de abertura, a área interna do museu funcionou das 17h às 21h, enquanto nos dois dias seguintes o público teve acesso a partir das 9h da manhã, com a área externa recebendo visitantes desde as 11h. A entrada gratuita ajudou a ampliar o alcance do evento, que é idealizado pela colunista Ilca Maria Estevão e já se consolidou como espaço de visibilidade para talentos da capital.
Entre os destaques desta edição esteve a exposição de trabalhos de cinco designers do Distrito Federal: Alexandre Freitas, à frente do projeto A84 Project, Bernardo Rostand, Guiddz, Sacramound e Pedro Pita. Cada um apresentou coleções com propostas distintas, que vão da alfaiataria tradicional a materiais não convencionais. Guiddz, por exemplo, apresentou a coleção Sem Limite, desenvolvida sem o uso de máquinas de costura, explorando botões, tules transparentes, pedrarias e rendas para compor as peças. Já Bernardo Rostand, que começou a carreira artística em um coro lírico antes de migrar para a moda, trouxe referências clássicas para sua criação autoral.
Outra atração que chamou atenção do público foi o artista Mikael Omik, responsável por personalizações gratuitas em peças levadas pelos próprios visitantes, ação que ocorreu nos dias 10 e 12 de junho. Esse tipo de interação direta com o público reforça o caráter participativo que o evento busca construir desde suas primeiras edições, aproximando moda autoral de quem normalmente só teria acesso a ela em vitrines de loja, conforme detalha o Metrópoles.
Música, brechós e patchwork completam a programação
Além da moda propriamente dita, a música ocupou papel central na programação do MFD 2026. A abertura, na quarta-feira, contou com apresentações de Ketlen, DJ CXXJU, DJ A mais Bwayne e do Confronto Sound System na área externa, além de uma intervenção da companhia de performance Mutum. O encerramento, na sexta-feira, reuniu nomes como Voni, Chico Aquino e sets que combinaram diferentes DJs da cena local, fechando os três dias com clima de festival.
O evento também deu espaço para o consumo consciente de moda, com a presença de 15 brechós, entre eles Rua de Baixo, Disco Labb, Choose Vintage e Plano Vint, além de multimarcas e de um serviço de aluguel de roupas. Essa combinação entre moda nova e segunda mão reflete uma tendência mais ampla do setor, que busca equilibrar criatividade autoral com práticas de sustentabilidade, como descreve a coluna de Ilca Maria Estevão no Metrópoles.
Um dos pontos mais simbólicos da edição foi o Desafio MFD 2026, competição que convidou talentos de Brasília a transformar o folclore brasileiro em criações autorais utilizando retalhos e técnicas manuais de patchwork. A iniciativa premiou os melhores projetos com divulgação na coluna responsável pelo evento e valores em dinheiro, reforçando o caráter formativo e de incentivo à nova geração de criadores da capital.
Um espaço de visibilidade que já dura quatro edições
O Metrópoles Fashion & Design não nasceu como um evento pontual. Ao longo de quatro edições, ele se firmou como vitrine recorrente para a moda produzida no Distrito Federal, contando inclusive com o apoio da Secretaria de Turismo local. Essa continuidade é o que diferencia o MFD de iniciativas isoladas, e ajuda a responder à dúvida sobre seu impacto real: ao se repetir ano após ano, o evento cria um calendário fixo que designers, brechós e multimarcas já incorporam ao planejamento de suas coleções e ações comerciais.
A escolha do Museu Nacional da República como sede também tem peso simbólico. Ao ocupar um espaço tradicionalmente dedicado às artes plásticas e à história, o MFD reforça a ideia de que moda também é expressão cultural legítima, capaz de dialogar com patrimônio e identidade local da mesma forma que exposições de pintura ou fotografia, como mostra a cobertura final do evento publicada pelo Metrópoles.
O Metrópoles Fashion & Design 2026 terminou consolidando Brasília como praça relevante para a moda autoral brasileira, unindo criadores, brechós e público em um espaço historicamente ligado às artes. A edição reforçou que eventos de moda podem funcionar como ferramenta cultural completa, capaz de gerar renda para pequenos criadores e, ao mesmo tempo, fortalecer a identidade da cidade. Para quem acompanha o cenário fashion fora do eixo Rio-São Paulo, o MFD se firma como referência a cada nova edição.
Fontes: metropoles.com – matéria de abertura | metropoles.com – cobertura do espaço | metropoles.com – balanço final
Autor: Diego Rodríguez Velázquez