Levantamento inédito aponta como o Funk influenciou o entretenimento e a cultura no Brasil

DJ Marlboro
DJ Marlboro é uma das referências e “fundadores” do funk no Brasil (Imagem: Reprodução / Instagram)

O funk é um estilo musical que também abriga uma identidade visual bem característica, colecionando fãs e seguidores em todo Brasil. Apesar disso, o ritmo já tinha uma parcela de “haters”, antes mesmo desse termo existir, como apontou o jornalista e escritor Silvio Essinger, autor do livro “Batidão: Uma História Do Funk”, que se torna essencial para o entendimento desse movimento:

O funk já contava com uma boa parcela de ódio muito antes de se falar em ‘haters’. Já nos anos 90, era incluído num pacote de música brasileira desprezível, inculta, junto com os também populares axé music e pagode romântico. Desde então, passaram por um processo de reavaliação. E nos anos 2000 ressurgiram, diante do senso comum, como expressões legítimas de uma cultura brasileira. Hoje, o funk tem mais de 30 anos de história, está arraigado no imaginário do brasileiro, formou público fiel e gerações de artistas“.

Diante disso, o Betway, site de roleta online, fez um levantamento da evolução do funk, desde quando esse ritmo nasceu às referências musicais e marcos dessa expressão cultural tão rica.

A origem do funk é mais internacional do que se imagina, já que surgiu através de influências do soul, do jazz, do rock e do R&B (rhytm and blues) em Nova Orleans, nos Estados Unidos, na década de 60. De lá para cá, muita coisa mudou para chegar ao som que conhecemos hoje no Brasil.

No início, ele tinha como características o ritmo sincopado, o baixo dominante, a seção de metais forte e rítmica, além da batida forte e marcante. Os primeiros representantes, naquela década, foram: Clyde Stubblefield, Charles Connor, James Brown e Miles Davis.

Ainda nos anos 60, o funk foi considerado impróprio, com a alegação de ter um sentido sexual na língua inglesa. A grande mudança veio nos anos 70, com a vinda do P-Funk, num ritmo mais pesado, com uma forte influência do rock psicodélico.

Nos anos 80, o ritmo se expandiu em vários subgêneros e estilos como o miami bass, o rap e o break, alcançando outros países além dos Estados Unidos, incluindo o Brasil. Na década de 90, o funk entrou na música eletrônica através da house music, que foi um verdadeiro sucesso nas pistas de danças. Também se uniu a bandas de rock, sendo o Red Hot Chili Peppers um grande exemplo disso.

Nos anos 2000, o funk foi praticamente expulso das rádios, dando lugar ao hip-hoop comercial elegante, o R&B contemporâneo e o new jack swing. Entretanto, sua influência se espalhou ainda mais, em especial nas periferias.

No Brasil, a cronologia se deu de uma maneira diferente. Nos anos 70 surgiu o pré-funk carioca, com o surgimento dos bailes dançantes nas periferias cariocas. Quem frequentava esses bailes, ganhava a alcunha de Black Rio e era conhecido em todo estado do Rio de Janeiro.

O Black Rio ainda invadiu a zona sul, área da elite, com os Bailes da Pesada no Canecão, tradicional casa de show. Desse sucesso vieram as batalhas de passinho e criando-se grupos.

Foi mesmo em 1982 que os bailes cariocas foram invadidos pela onda do funk. Em meados da década, os melôs foram uma febre no RJ, parodiando hits da música negra. O primeiro som desse gênero musical foi o Melô da Mulher Feia, do MC Abdullah, em 1989. Nesse mesmo ano, DJ Marlboro lançou o álbum “Funk Brasil: Vol.1”.

A explosão do funk se deu nos anos 90, ganhando destaque em novelas e programas de televisão. O funk melody nasceu nesta época, tendo como exemplo Glamurosa, do MC Marcinho. O Rap das Armas, dos MCs Júnior e Leonardo foi outro estopim desse sucesso. Em 1998, o proibidão deu o ar da graça como um subgênero. O Furacão 2000, por sua vez, ampliou o funk para o Brasil e popularizou definitivamente o gênero.

Nos anos 2000, grandes nomes como Valesca Popozuda (ainda na Gaiola das Popozudas) e MC Catra ganharam destaque por um apelo mais sexual. O Cerol na Mão, do Bonde do Tigrão, resumem bem essa vertente. Em 2002, Tati Quebra-Barraco liderou um movimento pioneiro das mulheres no funk. No ano seguinte, até o público infantil foi atingido com o hit Eguinha Pocotó, de MC Serginho e Lacraia.

Em 2008, o funk ganha um aspecto de ostentação, tendo MC Guimê como principal nome. Pouco antes disso, o movimento ganhou consagração mundial com Bucky Don Gun, da rapper inglesa M.I.A, que sampleou Injeção, da pioneira Deize Tigrona. Em 2009, a Dança do Créu, do MC Creu, abriu espaço para as mulheres frutas.

Em 2013, veio uma projeção nacional ainda maior com o Show das Poderosas, que comemorou os 30 anos de funk no palco do Rock in Rio, em 2019. Quatro anos antes, Tá Tranquilo, Tá Favorável se tornou um hit nos festivais e surgiram mais subgêneros: funknejo, funkrave, funkpop e bregafunk.

De 2020 pra cá, o canal HBO exibiu a série documental Funk.Doc, que mostra o fenômeno dessa expressão cultural nas comunidades de Heliópolis e Paraisópolis, em São Paulo. O sucesso Bum Bum Tam Tam, de MC Fioti, virou um verdadeiro hino da campanha de vacinação contra a Covid-19, reafirmando a estima do funk entre os brasileiros.

Silvio Essinger destacou um momento especial para a popularidade do ritmo no Brasil: “Marlboro conseguiu exposição para os seus artistas no programa da Xuxa. Em 96, Claudinho & Buchecha estariam fazendo essa transição de forma mais eficiente com um CD de estreia que podia ser ouvido sem estranhezas pelo público de Lulu Santos“.

Em declaração ao site Betway, o DJ Marlboro ressaltou a importância de levar o funk a todo Brasil, não somente ao eixo Rio – São Paulo: “O meu plano para o funk era que ele fosse um movimento nacional, com visibilidade internacional, para gerar emprego no Brasil inteiro. Queria que cada região colocasse características locais nas suas músicas, que espelhasse aquilo que as pessoas respiram, seu cotidiano, seu dia a dia. A cultura local está entranhada no funk“.

Segundo o Datafolha e a consultoria JLeiva Cultura & Esporte, o funk é o queridinho dos brasileiros entre 12 a 15 anos, entre 55% dos entrevistados. O ritmo também lidera a lista de mais ouvidos em 23 estados brasileiros, também ganhando força em países como EUA, México e Portugal, e ao que tudo indica encantará o mundo.

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