A De Goeye celebrou dez anos de trajetória com uma coleção construída em torno da imagem de uma mulher viajante. Apresentada em 29 de outubro de 2026, a proposta marcou o segundo desfile da grife brasileira e reuniu referências multiculturais relacionadas às experiências da diretora criativa Fernanda De Goeye e de sua irmã e sócia, Renata De Goeye.
O resultado combina peças de aparência sofisticada com elementos artesanais e uma leitura cosmopolita do guarda-roupa feminino. Segundo a ELLE Brasil, a coleção comemorativa foi apresentada com uma cartela inspirada em paisagens, passando pelo branco, areia, laranja, vinho e preto.
Uma coleção guiada por viagens e referências multiculturais
A inspiração viajante aparece tanto nas cores quanto nos desenhos e nas proporções. Entre os destaques estão padronagens pintadas à mão e botas com grafismos de inspiração africana, elementos que acrescentam identidade visual às produções sem afastá-las da linguagem autoral da marca.
A silhueta também alterna volumes e movimentos. Calças-balão, camisas alongadas e coletes estruturados convivem com vestidos fluidos, recortes e camadas de tule. A combinação cria uma coleção que transita entre a alfaiataria e a leveza, com peças pensadas para formar composições de diferentes níveis de impacto.
Em vez de concentrar a narrativa em um único tipo de roupa, a De Goeye explora contrastes: estruturas mais precisas aparecem ao lado de tecidos que acompanham o movimento do corpo, enquanto camadas e transparências acrescentam profundidade aos looks. A proposta reforça a ideia de um vestuário adaptável, ligado a uma mulher que incorpora diferentes referências ao longo de suas experiências.
Texturas artesanais ganham protagonismo
As superfícies tiveram papel central no desfile. A coleção utilizou franjas de georgette, bordados manuais, jacquards de seda, aplicações e paetês furta-cor. Esses recursos acrescentam relevo e brilho às peças, além de evidenciar o trabalho de acabamento como parte importante da identidade da grife.
A escolha dos materiais também segue essa direção. A De Goeye trabalhou com tecidos naturais e nobres, como seda e linho, associados à produção artesanal e em pequena escala. Nesse contexto, o valor da roupa não está apenas na imagem apresentada na passarela, mas também na construção da peça, nas texturas e no cuidado aplicado aos detalhes.
A combinação entre materiais sofisticados e técnicas manuais posiciona a coleção dentro de um movimento que valoriza o feito à mão e a permanência das roupas no guarda-roupa. Para marcas autorais, esse caminho permite construir uma assinatura visual mais reconhecível e se afastar da lógica de produtos feitos em grande volume.
Um calendário de lançamentos em pequenas fases
Além da coleção, o desfile colocou em evidência o modelo de negócio adotado pela De Goeye. A marca não segue rigidamente a divisão tradicional entre temporadas de verão e inverno. Em seu lugar, desenvolve lançamentos reduzidos e mensais, chamados de “fases”.
De acordo com a reportagem da ELLE Brasil, a grife estava na 18ª edição desse formato no momento da apresentação. A estratégia acompanha a proposta de trabalhar com menor escala e com atenção concentrada nos materiais, no acabamento e na construção de cada grupo de peças.
Esse sistema também modifica a relação entre coleção e consumo. Em vez de depender exclusivamente de dois grandes momentos anuais, a marca cria entradas mais frequentes e enxutas, mantendo a pesquisa criativa em movimento. Para o público interessado em moda autoral, o formato ajuda a acompanhar uma evolução contínua da linguagem da grife.
Dez anos de uma identidade brasileira
Ao comemorar uma década, a De Goeye apresentou uma coleção que articula referências de diferentes culturas sem abandonar a perspectiva de uma marca brasileira. A direção criativa transforma viagens, paisagens e técnicas artesanais em elementos de roupas marcadas por volume, textura e movimento.
O desfile comemorativo resume, assim, três eixos presentes na proposta: uma estética cosmopolita, o uso de materiais naturais e a produção em pequena escala. Com alfaiataria, vestidos fluidos, bordados e aplicações, a grife reforça uma visão de moda autoral baseada na experimentação e na permanência das peças.