Nova série ambientada na Los Angeles de 1981 transforma o guarda-roupa de Susan Reynolds, personagem de Kaia Gerber, em uma vitrine para o retorno do estilo preppy, com blazers estruturados, jeans escuros, laços e outras referências da década.
A estreia de The Shards colocou Kaia Gerber novamente no centro das atenções do universo fashion, desta vez por meio da televisão. A modelo e atriz interpreta Susan Reynolds na adaptação da obra de Bret Easton Ellis, produção ambientada no início dos anos 1980 e marcada por uma reconstrução visual da juventude privilegiada de Los Angeles. Além da narrativa, o figurino rapidamente se tornou um dos elementos mais observados da série, especialmente pelas produções usadas por Gerber, que recuperam códigos associados ao estilo preppy norte-americano e ajudam a transportar o público para 1981.
A presença de Gerber naturalmente amplia a repercussão fashion da produção. Antes mesmo de consolidar sua carreira como atriz, ela construiu uma trajetória importante como modelo e trabalhou com algumas das principais casas e estilistas internacionais. Em The Shards, porém, sua relação com a moda ganha uma função diferente: as roupas não aparecem apenas como produções atraentes, mas como instrumentos para construir Susan Reynolds e contextualizar socialmente a personagem. Blazers estruturados, camisas, jeans de lavagem escura, peças de corte clássico e detalhes românticos formam um guarda-roupa que comunica juventude, privilégio e a estética característica do começo da década.
Figurino recupera a Los Angeles de 1981
Um dos principais desafios visuais de The Shards está justamente em recriar o início dos anos 1980 sem transformar a série em uma sucessão exagerada de referências nostálgicas. O guarda-roupa de Susan aposta em uma interpretação relativamente sofisticada daquele período, deixando de lado algumas das imagens mais caricatas normalmente associadas à década. Em vez de cores neon, volumes extremos e acessórios excessivos, a personagem aparece com uma estética mais clássica, marcada pela influência das escolas particulares, dos clubes e do estilo de vida das famílias de maior poder aquisitivo de Los Angeles.
Essa escolha permite que as roupas pareçam historicamente inspiradas e, ao mesmo tempo, próximas da moda atual. Blazers com ombros definidos, jeans retos e escuros, camisas clássicas e blusas com laços são exemplos de peças que poderiam facilmente aparecer em coleções contemporâneas. Essa proximidade entre passado e presente ajuda a explicar por que o figurino começou a despertar interesse fora da própria série. Em vez de funcionar somente como reconstrução histórica, o guarda-roupa oferece referências que podem ser reinterpretadas atualmente, especialmente em um momento no qual a moda continua revisitando diferentes décadas.
Kaia Gerber transforma Susan em referência fashion
Susan Reynolds surge como uma personagem cujo estilo transmite organização e sofisticação sem depender de peças excessivamente chamativas. Parte dessa construção está relacionada às combinações utilizadas por Kaia Gerber, que frequentemente aparecem baseadas em proporções clássicas e sobreposições. O blazer, por exemplo, desempenha papel importante ao adicionar estrutura aos looks, enquanto jeans e outras peças mais casuais ajudam a preservar uma aparência jovem. O resultado é um equilíbrio entre formalidade e descontração que dialoga diretamente com o estilo preppy.
A escolha também combina com a imagem fashion que Gerber construiu fora das telas. Ao longo de sua carreira, a modelo tornou-se conhecida tanto por grandes produções nas passarelas quanto por um estilo pessoal relativamente minimalista, no qual peças clássicas, alfaiataria, jeans e acessórios discretos aparecem com frequência. Essa proximidade torna algumas produções de Susan especialmente naturais na atriz e facilita a transformação do figurino televisivo em referência de moda para o público.
Estilo preppy volta ao centro das tendências
A estética preppy nasceu ligada ao universo acadêmico e às instituições tradicionais dos Estados Unidos, mas passou por inúmeras transformações ao longo das décadas. Blazers, camisas, suéteres, mocassins, saias estruturadas e calças de corte clássico estão entre seus elementos mais reconhecíveis. Durante os anos 1980, essa linguagem ganhou ainda mais projeção e acabou associada ao estilo de jovens de famílias abastadas, especialmente em ambientes universitários e grandes centros urbanos.
Em 2026, muitas dessas referências voltaram a aparecer em coleções e produções de celebridades. A diferença está na maneira como são combinadas. Em vez de reproduzir integralmente o guarda-roupa de quatro décadas atrás, a moda contemporânea mistura peças preppy com jeans mais relaxados, calçados modernos e acessórios minimalistas. O figurino de The Shards se encaixa nesse movimento porque apresenta a origem histórica de várias dessas referências ao mesmo tempo em que demonstra como determinados cortes e combinações permanecem visualmente atuais.
Blazers e jeans escuros ganham destaque
Entre as peças que mais ajudam a definir a estética de Susan estão os blazers estruturados. Eles aparecem como um recurso capaz de transformar combinações relativamente simples em produções mais sofisticadas e também ajudam a reforçar a ambientação dos anos 1980. A construção dos ombros e as proporções ligeiramente maiores são elementos característicos da época, mas podem ser encontrados novamente em coleções atuais, especialmente depois da retomada da alfaiataria ampla no guarda-roupa feminino.
Os jeans escuros seguem uma lógica semelhante. Enquanto diferentes fases da moda dos anos 2000 privilegiaram lavagens claras, rasgos e efeitos desgastados, o denim mais escuro recupera uma aparência limpa e clássica. Quando combinado com blazer, camisa ou blusa de laço, ele cria uma produção que consegue parecer casual e elegante simultaneamente. Essa versatilidade ajuda a tornar o guarda-roupa apresentado na série mais fácil de adaptar ao cotidiano, aumentando seu potencial de influência fora da televisão.
Laços adicionam lado romântico ao visual
Outro elemento presente nas referências de figurino são as blusas com laços, peça fortemente relacionada à moda feminina das décadas de 1970 e 1980. Conhecidas pela gola que pode ser amarrada na parte frontal, essas blusas criam uma aparência mais delicada e ajudam a equilibrar a rigidez dos blazers estruturados. Na composição visual da personagem, esse contraste permite construir uma estética feminina sem abandonar o caráter formal associado ao ambiente social retratado pela produção.
A peça também voltou a aparecer em coleções contemporâneas e pode ser combinada tanto com alfaiataria quanto com jeans. Essa capacidade de circular entre diferentes contextos é justamente uma das razões pelas quais referências antigas retornam com frequência ao mercado. No caso de The Shards, o uso desses elementos ajuda a construir uma identidade visual coerente com 1981, mas também fornece inspirações facilmente reconhecíveis pelo público de 2026.
Televisão volta a funcionar como vitrine de tendências
A repercussão do figurino de Kaia Gerber reforça uma relação antiga entre televisão e moda. Séries como Sex and the City, Gossip Girl e Euphoria demonstraram em diferentes épocas como roupas utilizadas por personagens podem ultrapassar os limites da narrativa e influenciar tendências. Com redes sociais e plataformas de vídeos curtos, esse processo tornou-se ainda mais rápido: espectadores podem identificar uma peça, buscar alternativas semelhantes e reproduzir determinado visual pouco depois de um episódio chegar ao público.
The Shards entra nesse cenário com uma vantagem particular: a estética da produção está conectada a uma década que já exerce influência sobre a moda contemporânea. Isso significa que muitas peças apresentadas na tela encontram equivalentes nas lojas e coleções atuais. O figurino não precisa necessariamente criar uma tendência completamente nova; ele pode fortalecer movimentos que já estavam em curso e apresentar novas maneiras de combinar elementos conhecidos.
Moda ajuda a construir identidade da série
Mais do que oferecer inspiração para o guarda-roupa do público, as roupas desempenham uma função narrativa importante em uma produção como The Shards. O estilo dos personagens ajuda a indicar classe social, personalidade, idade e ambiente cultural, oferecendo informações visuais antes mesmo que determinadas características sejam explicadas pelo roteiro. No caso de Susan, a aparência cuidadosamente construída contribui para apresentar o universo privilegiado no qual a história se desenvolve.
A combinação entre uma ambientação fortemente associada aos anos 1980 e uma atriz com ligação direta ao mercado fashion transforma o figurino em um dos principais pontos de interesse visual da série. Para Kaia Gerber, o papel também representa uma oportunidade de aproximar suas carreiras de modelo e atriz sem que uma necessariamente se sobreponha à outra. O resultado é uma personagem cuja moda ajuda a contar a história e, simultaneamente, oferece referências capazes de ultrapassar a televisão.
Com The Shards, a estética de 1981 encontra novamente espaço em 2026. Blazers estruturados, jeans escuros, blusas com laços e a influência preppy mostram que determinadas tendências podem retornar décadas depois sob uma nova interpretação. A presença de Kaia Gerber potencializa esse movimento e coloca a série entre as produções televisivas capazes de transformar figurino em assunto também para o mundo da moda.
Fonte
InStyle — reportagem sobre os looks e referências de moda de The Shards