Camisas de time deixaram os estádios e invadiram o guarda-roupa cotidiano, em movimento que já é chamado de fenômeno fashion do Mundial
A Copa do Mundo de 2026 está mudando o que as pessoas vestem no dia a dia, e não apenas durante os jogos. Camisas oficiais das seleções, antes restritas às arquibancadas, ganharam espaço nas ruas, nos looks de influenciadoras e nas vitrines das grandes marcas. O fenômeno, batizado de blokecore ou FIFArina, combina camisas de futebol com saias, calças largas ou tênis para criar produções que pouco lembram o uniforme esportivo tradicional.
O movimento não é só percepção. Segundo o Relatório de Tendências do Pinterest de 2026, as buscas por formas de usar camisas da Copa do Mundo no estilo urbano subiram 840% na plataforma, com destaque para as camisas das seleções mexicana e argentina. A dúvida que fica para quem acompanha moda é simples: o que está por trás dessa explosão e até onde ela deve ir nos próximos meses do torneio, que segue até julho?
A volta da estética WAG impulsiona o mercado
A combinação de camisa de time com shorts jeans, que marcou a era das WAGs (esposas e namoradas de jogadores) no início dos anos 2000, voltou com força no verão de 2026. A nova geração de WAGs, ainda mais conectada às redes sociais que a anterior, tem papel direto nesse retorno. A dupla de supermodelos brasileiras Gizele Oliveira e Marianne Fonseca, por exemplo, chamou atenção na área VIP do MetLife Stadium, em Nova Jersey, com produções que misturavam peças de grife a itens oficiais do torneio.
Esse fenômeno tem nome técnico no mercado da moda esportiva: moda de beira de campo. A expressão descreve o jeito como mulheres ligadas aos jogadores transformam a torcida em vitrine de tendências, influenciando milhões de seguidoras ao redor do mundo. De Tolami Benson, noiva do jogador inglês Bukayo Saka, a Gabrielle Figueiredo, esposa do zagueiro Gabriel Magalhães, essas figuras constroem identidade própria nas redes, com estilo que é replicado em detalhes por fãs em diferentes países. O resultado é um ciclo que começa nas arquibancadas e termina nas prateleiras de loja, com peças inspiradas nos looks aparecendo em poucos dias depois de cada jogo.
O Brasil sente esse impacto de forma direta. Torcedores de países como Panamá já lotaram estádios em Toronto usando camisas combinadas em estilo urbano, prova de que a tendência atravessa fronteiras e gera identificação imediata entre torcedores comuns, não só entre celebridades. Mais informações sobre o fenômeno estão disponíveis no levantamento publicado pelo portal Vietnam.vn.
Marcas e consumidores reagem ao mesmo tempo
A velocidade da resposta do mercado chama atenção de quem observa o setor de moda. As buscas por camisas das seleções mexicana e argentina, especificamente, registraram aumentos de 243% e 125%, respectivamente, segundo o mesmo levantamento do Pinterest. Esses números indicam que o interesse não está concentrado apenas nos times favoritos ao título, mas em uma combinação de torcida apaixonada e potencial estético da camisa enquanto peça de moda.
Esse comportamento de consumo levanta uma dúvida recorrente entre quem acompanha o setor: a tendência vai se manter depois do fim da Copa, em julho? Movimentos parecidos já aconteceram em edições anteriores do torneio, mas a escala atual, somada à presença forte de WAGs e influenciadoras documentando cada detalhe do look em tempo real, sugere que o impacto pode ser mais duradouro dessa vez. Marcas esportivas e de streetwear já vêm investindo em colaborações que misturam identidade de seleção com design urbano, o que reforça a aposta de que o jersey deixou de ser apenas item esportivo e passou a ocupar lugar permanente no guarda-roupa de quem gosta de moda.
Para o público brasileiro, esse cenário também tem efeito direto no comércio local. Lojas de roupa esportiva e multimarcas relatam aumento na procura por camisas oficiais combinadas com outras peças do closet, movimento puxado tanto pela Copa quanto pela exposição constante de famosos com esse visual nas redes sociais, como mostra reportagem do ND Mais.
O que esperar das próximas semanas do Mundial
A Copa do Mundo de 2026 é a primeira edição disputada em três países, Estados Unidos, Canadá e México, com jogos entre 11 de junho e 19 de julho. Esse formato amplia o alcance geográfico do torneio e, por consequência, a visibilidade das tendências que nascem nas arquibancadas norte-americanas. A expectativa entre observadores do setor é que o fenômeno fashion continue crescendo conforme a competição avança para as fases decisivas, com mais aparições de WAGs e celebridades em jogos de maior repercussão.
Enquanto isso, o consumidor brasileiro segue tendo acesso fácil a essa estética por meio de redes sociais e cobertura constante de portais de moda e entretenimento. A combinação entre paixão pelo futebol e vontade de acompanhar tendência deve manter o jersey como peça relevante do guarda-roupa de verão, mesmo fora dos dias de jogo.
A Copa do Mundo de 2026 mostra, de forma bem prática, como esporte e moda caminham juntos quando há grande exposição midiática. O fenômeno do jersey nas ruas combina paixão por futebol, comportamento de torcida e influência direta das redes sociais, formando uma tendência que já ultrapassa o universo esportivo. Resta acompanhar se essa estética vai sobreviver ao calendário do Mundial ou se vai se tornar, de fato, um capítulo permanente da moda urbana brasileira e internacional.
Fontes: vietnam.vn | ndmais.com.br
Autor: Diego Rodríguez Velázquez