A Paris Fashion Week 2026 encerrou a temporada internacional de lançamentos para a Primavera/Verão 2027 com uma combinação entre tradição, renovação criativa e espaço para marcas em ascensão. Realizada em Paris entre 28 de setembro e 6 de outubro, a programação reuniu grandes maisons, estilistas emergentes e propostas que ajudam a indicar os próximos caminhos do mercado de luxo.
Mais do que concentrar a atenção em celebridades e primeiras filas, a edição evidenciou um movimento simultâneo: enquanto grifes consolidadas revisitam códigos próprios para reafirmar sua identidade, novos nomes ganham presença no calendário oficial. A programação divulgada pela Federação da Alta-Costura e da Moda reforça essa diversidade ao reunir marcas de diferentes trajetórias e linguagens.
Chanel revisita códigos tradicionais
Entre os momentos de maior destaque esteve o desfile da Chanel, realizado no Grand Palais. Sob a direção criativa de Matthieu Blazy, a maison apresentou uma leitura contemporânea de elementos associados à sua história, como o tweed, os tailleurs e as bolsas matelassadas. A proposta sinalizou uma busca por identidade própria sem romper completamente com os símbolos que ajudaram a construir o imaginário da marca.
A apresentação também atraiu atenção pela presença de nomes conhecidos na primeira fila, entre eles Nicole Kidman, Dua Lipa e Pedro Pascal. Segundo a Associated Press, o desfile da Chanel esteve entre os principais acontecimentos da semana, tanto pela estreia da coleção quanto pelo interesse gerado em torno da nova fase criativa da grife.
A escolha de reinterpretar materiais e formas reconhecíveis mostra como as grandes casas podem atualizar seus códigos sem abandonar referências históricas. No caso da Chanel, o movimento envolve equilibrar a herança visual da marca com uma direção capaz de estabelecer novos contornos para seus produtos e para a imagem da maison nos próximos anos.
Louis Vuitton encerra a programação no Louvre
O encerramento da semana de moda ficou a cargo da Louis Vuitton, que apresentou sua coleção em 6 de outubro, no Louvre. A maison combinou alfaiataria mais suave, tecidos leves, transparências e elementos futuristas, criando uma proposta distinta da abordagem mais diretamente ligada aos códigos clássicos apresentada pela Chanel.
A cenografia também ocupou papel importante no desfile. Esculturas de carros suspensas sobre a passarela ajudaram a construir uma atmosfera voltada ao futuro, em diálogo com as roupas e com a escala monumental do local. Zendaya esteve entre os convidados da apresentação, que fechou oficialmente a temporada parisiense.
De acordo com a cobertura da Associated Press, a coleção da Louis Vuitton esteve entre os pontos centrais do encerramento. A combinação de transparências, tecidos de aparência leve e construção mais relaxada da alfaiataria reforçou uma visão de luxo menos rígida, mas ainda associada à precisão e à escala de uma grande maison.
Novos nomes ampliam o calendário oficial
A edição Primavera/Verão 2027 também chamou atenção pela presença de estilistas e marcas em ascensão. Julie Kegels, Hodakova, Fidan Novruzova, Marie Adam-Leenaerdt e Maxhosa Africa estiveram entre os nomes incluídos na programação, mostrando que a semana de moda não se limita às casas mais conhecidas do público internacional.
O calendário ainda contou com designers selecionados para o showroom SPHERE, iniciativa da Federação da Alta-Costura e da Moda voltada à promoção de marcas emergentes. De acordo com o calendário oficial da entidade, o projeto funciona como uma vitrine para criadores que buscam ampliar sua visibilidade e estabelecer conexões dentro do ecossistema profissional da moda parisiense.
A presença desses nomes ajuda a compreender a importância de Paris como espaço de validação e descoberta. Ao lado de grifes com décadas de história, criadores mais jovens encontram uma plataforma para apresentar novas técnicas, referências culturais e interpretações sobre o vestuário contemporâneo.
Uma temporada marcada por diferentes direções
A leitura geral da Paris Fashion Week 2026 aponta para uma indústria de luxo que trabalha em várias frentes ao mesmo tempo. Chanel e Louis Vuitton apresentaram caminhos distintos para atualizar suas linguagens, enquanto os estilistas emergentes ampliaram o repertório do calendário com propostas menos dependentes dos códigos tradicionais das grandes maisons.
O cenário das ruas também fez parte da atmosfera da semana. A Associated Press registrou a presença de fashionistas que levaram estilos próprios para os arredores dos desfiles, evidenciando como a moda parisiense se manifesta tanto nas passarelas quanto no comportamento de quem acompanha o evento.
Para a Primavera/Verão 2027, Paris encerrou a temporada com uma mensagem ampla: o futuro da moda não depende de uma única estética. Ele se constrói pela combinação entre memória e experimentação, força institucional e descoberta de talentos, além da capacidade de cada marca de transformar seus próprios códigos em algo relevante para o presente.