Setembro marca a largada oficial do calendário mais aguardado da moda, com novos nomes no comando de marcas históricas e uma paleta que já começa a aparecer nas vitrines
Setembro chegou trazendo consigo um dos períodos mais movimentados do calendário da moda mundial. O mês marca a abertura oficial do Fashion Month, quando os principais polos da indústria revelam as coleções que vão nortear as tendências dos próximos meses. Para quem acompanha de perto o universo fashion, os próximos dias reservam decisões criativas que vão além das passarelas e influenciam diretamente o que vai parar nas araras das lojas em 2027.
Nova York inaugura a temporada
Entre os dias 8 e 15 de setembro, a cidade abre oficialmente o Fashion Month com a New York Fashion Week, reunindo nomes já consolidados do mercado americano como Michael Kors, Carolina Herrera, Thom Browne, Anna Sui, Prabal Gurung e Ulla Johnson. A programação costuma dar o tom comercial e criativo que a moda vai seguir quando a temporada se deslocar para a Europa, então o que acontece nesses dias funciona como um verdadeiro termômetro do que está por vir nos próximos seis meses.
O evento reúne, além dos desfiles das grifes já conhecidas do grande público, uma série de apresentações menores espalhadas por diferentes espaços da cidade, o que amplia bastante o alcance da semana. Compradores, imprensa especializada e influenciadores de moda circulam entre os endereços ao longo dos dias, acompanhando de perto tanto as coleções mais comerciais quanto propostas mais autorais e experimentais.
Para o público brasileiro que segue moda pelas redes sociais, esse é justamente o momento em que as primeiras imagens de tendências começam a circular com mais força. É comum que peças e paletas vistas nas primeiras passarelas de Nova York apareçam, poucas semanas depois, em vitrines nacionais e em coleções de fast fashion adaptadas ao clima do hemisfério sul.
A estreia mais comentada da semana
Uma das apostas mais aguardadas desta edição é a estreia de Henry Zankov à frente da Diane von Furstenberg. Ele abre o calendário oficial em 10 de setembro como diretor artístico da marca, em uma casa construída em torno de uma peça só, o vestido envelope, que funciona ao mesmo tempo como identidade e desafio: a estreia costuma ser avaliada pela capacidade de encontrar o princípio por trás da assinatura, sem apenas repetir a fórmula.
Zankov já era um nome conhecido no circuito novaiorquino antes de assumir o posto, o que aumenta a expectativa em torno de como ele vai equilibrar o legado histórico da marca com sua própria linguagem criativa. O desafio de reinventar uma peça tão associada à identidade de uma grife é sempre delicado, e o mercado vai observar de perto se o resultado consegue conversar tanto com a consumidora fiel quanto com um público mais jovem.
Esse tipo de troca de comando costuma gerar movimentação também fora das passarelas, com analistas de moda avaliando o impacto comercial da mudança nas vendas da marca ao longo dos meses seguintes. Não é incomum que uma estreia bem recebida se traduza rapidamente em aumento de procura por peças de coleções anteriores, à medida que o público redescobre o histórico da grife.
Grifes que escolheram Manhattan
Outro ponto que chama atenção nesta edição é a movimentação de marcas que poderiam desfilar em qualquer capital da moda e optaram por Nova York. A polonesa Magda Butrym, até então frequentadora fixa de Paris, faz sua estreia oficial no calendário novaiorquino e abre, ao mesmo tempo, sua primeira loja fixa na cidade, na Mercer Street, unindo passarela, varejo e presença cultural em um único movimento.
O britânico Conner Ives, conhecido pela estética de materiais reaproveitados e por um discurso ligado à sustentabilidade e à cultura de subculturas urbanas, também estreia no calendário oficial nesta edição. A chegada desses nomes reforça um sinal que já vinha se desenhando nas últimas temporadas: Nova York deixou de exportar uma única ideia de estilo americano e passou a abrigar visões bem distintas dentro do mesmo calendário, atraindo designers que antes só desfilavam na Europa.
Essa diversificação tem efeito direto sobre o público consumidor, que passa a ter acesso, ainda que de forma escalonada, a propostas estéticas bem diferentes umas das outras dentro de uma única semana de moda. Para quem gosta de acompanhar tendências, isso significa mais variedade de referências para observar e adaptar ao próprio estilo pessoal.
Uma homenagem ao acervo bizantino
Entre as apresentações de maior peso simbólico está o retorno do indiano Sabyasachi Mukherjee ao calendário oficial. Seu desfile, marcado para 15 de setembro, dá início a uma colaboração de joalheria de longa duração com o Metropolitan Museum of Art, com peças inéditas inspiradas em arte e cultura material bizantina.
A parceria entre uma marca de moda e uma instituição do porte do Met costuma reverberar bem além do circuito fashion, atraindo também um público interessado em arte e história, o que amplia consideravelmente o alcance do desfile. Esse tipo de colaboração também tende a se desdobrar em exposições, peças de coleção e conteúdos educativos ao longo dos meses seguintes ao lançamento.
Os finalistas de 2026 do CFDA/Vogue Fashion Fund, entre eles Bad Binch TongTong, de Terrence Zhou, Jamie Haller e a marca Milamore, de George Inaki, entram no calendário pela primeira vez, ao lado de outros finalistas do fundo como Aisling Camps e Amir Taghi. A presença desses nomes emergentes junto aos grandes grifes de sempre é um dos sinais de que a semana também funciona como vitrine para quem está começando a construir uma marca própria, recebendo visibilidade que dificilmente conseguiria fora desse tipo de calendário oficial.
A cor que vai comandar os looks a partir de agora
Enquanto as passarelas se preparam para desfilar, o mercado de moda já sinaliza qual paleta vai dominar o guarda-roupa nos próximos meses. Cinco tons prometem ganhar força a partir de setembro, com o berinjela/uva se firmando como a cor oficial e favorita da temporada, descrita como uma evolução elegante, profunda e misteriosa do clássico bordô.
O marrom-chocolate e o branco-queimado Cloud Dancer seguem entre as apostas, dividindo espaço com tons que prometem trazer mais personalidade e luminosidade às produções, do berinjela/uva ao terracota. A combinação entre cores mais profundas e neutros aquecidos sugere uma temporada que valoriza looks com presença, mas sem abrir mão da versatilidade no dia a dia.
Esse tipo de paleta costuma agradar tanto quem prefere produções mais discretas quanto quem gosta de apostar em cor como statement. A permanência do bordô como referência, ainda que em uma versão renovada pelo berinjela, mostra que a transição de tendências nem sempre significa abandonar totalmente o que já vinha funcionando nas temporadas anteriores.
Como usar a nova paleta no cotidiano
Para quem quer se antecipar à tendência sem precisar renovar o guarda-roupa inteiro, a dica é começar por peças coringa. Um casaco ou uma bolsa em tom berinjela conversa bem tanto com looks de trabalho quanto com produções mais despojadas de fim de semana, funcionando como ponto de cor em composições neutras.
Já o terracota tende a aparecer com força em malhas e acessórios, sendo uma alternativa mais suave para quem prefere transições graduais entre estações. Combinar essas cores com bege, branco ou preto é uma forma segura de incorporar a paleta sem correr o risco de errar na composição.
Para quem trabalha em ambientes mais formais, vale apostar nos tons em acessórios primeiro, como cintos, bolsas ou sapatos, antes de investir em peças maiores como casacos ou vestidos. Essa é uma maneira prática de testar a tendência com um investimento menor, observando como as cores se encaixam no próprio estilo antes de fazer trocas mais significativas no armário.
O que vem depois de Nova York
Encerrada a etapa novaiorquina, o Fashion Month segue para Londres, Milão e Paris, completando o ciclo que define as coleções de primavera e verão do hemisfério norte. É esse trajeto que, historicamente, acaba ditando o que será visto nas vitrines brasileiras a partir do início de 2027, já que boa parte das tendências internacionais costuma chegar ao consumidor local com alguns meses de defasagem.
Entre estreias de peso, colaborações inéditas e uma paleta de cores já definida, setembro de 2026 se desenha como um dos capítulos mais aguardados do calendário fashion nos últimos anos. Fica o convite para acompanhar de perto os próximos desfiles, já que as escolhas feitas agora nas passarelas costumam antecipar o que vai definir o visual de milhões de pessoas nos meses seguintes.
Fontes:
- https://phefee.com/blogs/news/new-york-fashion-week-september-2026-5-trends-to-watch
- https://cfda.com/news/view-the-preliminary-september-2026-official-nyfw-schedule/
- https://www.purepeople.com.br/noticia/cores-tendencia-em-2026-veja-cinco-tons-que-estarao-na-moda-no-segundo-semestre-do-ano-a-partir-de-setembro_a423222/1