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Glamour em foco Notícias > Blog > Cultura > Quando a moda vira literatura: o “literary chic” transforma passarelas em clubes do livro
Cultura

Quando a moda vira literatura: o “literary chic” transforma passarelas em clubes do livro

Claire Westmere
Claire Westmere 3 de setembro de 2026 8 Min de leitura
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Grifes como Miu Miu, Dior e Jil Sander apostam em referências literárias nas coleções e criam eventos que misturam alta costura e discussão de livros

A moda encontrou na literatura uma de suas maiores fontes de inspiração dos últimos meses. O chamado “literary chic”, também conhecido como bookworm chic ou poetcore, tornou-se uma das estéticas mais comentadas de 2026, unindo alta costura a referências bibliófilas em um movimento que vai muito além do look em si.

Contents
Grifes como Miu Miu, Dior e Jil Sander apostam em referências literárias nas coleções e criam eventos que misturam alta costura e discussão de livrosUma estética que nasceu do gosto por livrosO que dizem as passarelasMiu Miu transforma desfile em clube de leituraSetembro reforça a agenda cultural brasileiraComo incorporar o estilo sem exagero

Uma estética que nasceu do gosto por livros

A tendência combina roupas de inspiração preppy com referências literárias e um ar intelectual, tendo ganhado força a partir do fim de 2025. Publicações internacionais de moda associam o movimento a uma releitura mais suave do dark academia, aquela estética sóbria e acadêmica que já havia dominado as redes sociais alguns anos antes.

O fenômeno também se conecta a um movimento mais amplo de valorização de espaços culturais. Cafés literários, livrarias vintage e ambientes que remetem a universidades clássicas ganharam popularidade entre um público que busca experiências mais tranquilas, em contraponto ao ritmo acelerado das redes sociais e ao consumo imediato de conteúdo digital.

Esse tipo de estética funciona quase como uma declaração de identidade, uma forma de sinalizar sofisticação sem depender de logos evidentes ou grifes óbvias. Ao adotar peças que remetem a bibliotecas e ambientes acadêmicos, quem veste a tendência comunica um estilo de vida associado à leitura, à pausa e ao pensamento, valores que ganharam força justamente em um momento de excesso de estímulo digital.

O que dizem as passarelas

Nas coleções de primavera e verão de 2026, marcas como Celine, Tory Burch, Wales Bonner e Miu Miu passaram a propor um visual que remete tanto a uma bibliotecária estilosa quanto a um estudante de letras elegante. O movimento não ficou restrito às roupas: acessórios também entraram na onda literária, com bolsas, óculos e joias reforçando a narrativa intelectual das coleções.

A Dior lançou a Book Tote, linha de bolsas de luxo estampadas com referências a obras como Madame Bovary, de Gustave Flaubert, e As Flores do Mal, de Charles Baudelaire, ainda na temporada de primavera de 2026. Celebridades também abraçaram a estética, decorando bolsas com miniaturas de livros no formato de charms, reforçando a ideia de que ler virou, também, um gesto de estilo.

Marcas como Chanel e Prada seguiram um caminho parecido, apresentando propostas que reinterpretam o clima acadêmico com um toque mais contemporâneo, distante da estética mais sombria que caracterizava o dark academia original. O resultado é um visual utilitário no corte, mas cheio de individualidade nos detalhes, o que ajuda a explicar por que a tendência conquistou tanto público em pouco tempo.

Miu Miu transforma desfile em clube de leitura

Entre as marcas que mais investiram na tendência está a Miu Miu, que foi além das roupas e criou seu próprio clube do livro. O encontro mais recente aconteceu durante a Semana de Design de Milão, em uma biblioteca da cidade, sob o título “A Política do Desejo”, reunindo escritores e acadêmicos ao lado de it girls como a atriz britânica Emma Corrin e a personalidade de moda Alexa Chung.

A Miu Miu não é a única a explorar esse território. A Jil Sander, por exemplo, apresentou durante a Semana de Design de Milão um projeto no qual sessenta criadores de diferentes áreas escolheram um livro que os influenciou, transformando a apresentação em uma espécie de mapa afetivo de referências literárias. Já a própria Vogue decidiu criar seu clube de leitura, com discussões que já passaram por títulos como “O Morro dos Ventos Uivantes” e “O Diabo Veste Prada”.

Esse tipo de iniciativa muda a relação do público com as marcas, que deixam de ser vistas apenas como fabricantes de roupas e passam a ocupar também um espaço de curadoria cultural. Para quem acompanha moda, participar ou seguir esses encontros virou uma forma de acessar um universo que mistura literatura, estilo e socialização entre pessoas com interesses parecidos.

Setembro reforça a agenda cultural brasileira

No Brasil, o calendário de setembro também favorece esse cruzamento entre moda e cultura. O mês recebe a Bienal do Livro de São Paulo, no Distrito do Anhembi, um dos maiores eventos populares do país voltados à literatura. É também neste período que o Museu de Arte Moderna de São Paulo reabre no Parque Ibirapuera, depois de dois anos de restauro, já recebendo a 39ª edição do Panorama da Arte Brasileira.

Esses eventos criam um cenário favorável para que o literary chic ganhe ainda mais espaço por aqui, já que o público terá diversas oportunidades de circular por ambientes que dialogam diretamente com a estética: livrarias, feiras literárias e espaços culturais renovados. A expectativa é que influenciadoras e formadoras de opinião de moda usem justamente esses eventos para exibir produções inspiradas na tendência.

A proximidade entre o calendário de moda internacional e a agenda cultural brasileira reforça como esses movimentos, ainda que nasçam em outros países, encontram terreno fértil para se adaptar à realidade local, ganhando novas camadas de significado quando cruzam com eventos e espaços já consolidados no circuito nacional.

Como incorporar o estilo sem exagero

Na prática, adotar o literary chic não exige grandes investimentos. Suéteres de tricô, óculos de armação clássica, saias plissadas e sapatos estilo mocassim já formam a base do visual, sendo peças fáceis de encontrar tanto em lojas de grife quanto em marcas mais acessíveis.

Uma bolsa com detalhe de livro ou um acessório inspirado em bibliotecas antigas completa a produção sem precisar recorrer a peças de luxo. Vale também apostar em cores neutras e tecidos com textura, como tweed e malhas canelinhadas, que reforçam o clima acadêmico sem exagerar na produção.

Para quem quer ir além do visual, participar de encontros literários, clubes de leitura locais ou visitas a livrarias específicas é uma forma de vivenciar a tendência de um jeito mais autêntico, conectando o estilo a um hábito real e não apenas a uma escolha estética passageira.

Fontes:

  • https://en.wikipedia.org/wiki/Literary_chic
  • https://www.ynetnews.com/culture/lifestyle/article/skub0yzjgx
  • https://forbes.com.br/forbes-life/2026/09/forbes-indica-os-eventos-de-lifestyle-mais-legais-de-setembro-pelo-mundo/
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