Uma parceria que redesenha o mapa da moda nacional
O Rio de Janeiro voltou a ocupar um lugar central no calendário da moda nacional em 2026, depois de quase uma década sem sediar um evento de grande porte no setor. A cidade recebeu, entre os dias 14 e 18 de abril, a estreia do Rio Fashion Week, realizado no Pier Mauá, na região central, com cerca de 30 desfiles espalhados por quatro armazéns e o prédio do Touring. A iniciativa marcou o retorno de uma tradição que havia sido interrompida com o fim do antigo Fashion Rio, e trouxe de volta à cidade um circuito que, décadas atrás, já havia colocado o Rio no mapa da moda internacional.
Uma parceria que redesenha o mapa da moda nacional
O novo evento é organizado pela IMM, a mesma empresa responsável pela São Paulo Fashion Week, e tem a assinatura de Paulo Borges na direção criativa, o mesmo profissional que comanda o SPFW há anos. Segundo o presidente da IMM, Alan Adler, a proposta do projeto é ambiciosa: transformar o Rio em uma espécie de vitrine internacional da moda brasileira, atraindo compradores e jornalistas de fora do país. A frase usada para resumir a ideia, durante o anúncio oficial, foi direta: “é o Rio vestindo o mundo”.
A partir desta edição, as duas semanas de moda mais importantes do país passam a operar de forma integrada dentro do chamado Calendário Oficial da Moda Brasileira. Na prática, isso significa que o Rio Fashion Week ocupa o primeiro semestre, enquanto o SPFW segue reservado para o segundo semestre, mantendo a estrutura e o posicionamento histórico que já tinha. A ideia de dividir o ano entre as duas cidades também resolve um problema antigo do setor, que era a concentração de eventos apenas em São Paulo.
Com essa reorganização, marcas que tradicionalmente apresentavam suas coleções de verão apenas na capital paulista ganham agora a opção de estrear parte de seus lançamentos no Rio, ampliando a visibilidade e criando um fluxo mais equilibrado ao longo do ano. A prefeitura carioca, que apoiou a realização do evento, estimou que a primeira edição de retomada teria potencial para movimentar cerca de R$ 200 milhões na economia da cidade, somando hospedagem, gastronomia e turismo relacionados ao público que a semana de moda costuma atrair.
Desfiles, exposições e uma programação que vai além da passarela
A abertura oficial do Rio Fashion Week ficou por conta da Osklen, marca símbolo do surfwear brasileiro com projeção internacional. Depois dela, passaram pela passarela nomes como Aluf, Normando, Salinas, Piet + Pool, Patricia Vieira, Angela Brito, Karoline Vitto, Isabela Capeto, Lenny Niemeyer e Dendezeiro, entre outras grifes que já têm presença consolidada no mercado nacional e novos nomes em ascensão que aproveitaram o novo palco para ganhar destaque.
A programação, no entanto, não se resumiu aos desfiles. O evento incluiu ainda estreias de produções audiovisuais ligadas ao universo da moda, ações de capacitação voltadas para jovens interessados em ingressar no setor e apresentações musicais que ocuparam o espaço até a madrugada. Segundo os organizadores, essa mistura de linguagens fazia parte do conceito original do projeto, que buscava aproximar moda, arte, música e gastronomia em um único ambiente.
A diretora do Pier Mauá, Denise Lima, destacou durante o lançamento que a escolha do espaço reforça o papel do complexo como um dos principais palcos de grandes eventos da cidade. Para ela, a chegada da semana de moda ao local representa um “encontro potente entre moda, cidade e patrimônio”, em referência à arquitetura histórica da região portuária, que passou por revitalização nos últimos anos e hoje abriga museus, centros culturais e espaços de eventos.
O que muda para o público e para o mercado
Para quem acompanha moda de perto, a principal mudança prática é a expansão do calendário: em vez de concentrar toda a atenção em outubro, quando o SPFW acontece tradicionalmente, o público brasileiro passa a ter dois grandes marcos anuais, um em cada cidade. Isso deve reorganizar também o ritmo de lançamentos das marcas, que agora podem escolher em qual dos dois polos apresentar suas coleções, de acordo com a identidade de cada evento.
O vice-prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, que participou do anúncio oficial ao lado da organização, afirmou acreditar que os dois eventos serão complementares e vão ajudar a consolidar de vez a moda como um setor estratégico para a economia carioca, algo que a cidade já buscava havia anos sem sucesso desde o encerramento do antigo Fashion Rio.
O SPFW, por sua vez, segue confirmado para outubro, quando celebra também uma data especial: a edição de 2026 marca os 30 anos de existência do evento, fundado em 1996, e deve reunir 38 desfiles ao longo de oito dias de programação, consolidando o segundo semestre como o momento de maior visibilidade da moda autoral brasileira no calendário internacional.
Enquanto isso, o Rio já projeta os próximos passos de sua semana de moda, que deve se firmar como ponto de encontro entre estilistas consagrados, novos talentos e o público que vê no evento uma chance de acompanhar de perto as tendências que vão pautar o guarda-roupa dos próximos meses. A expectativa do setor é que a divisão do calendário entre as duas cidades se torne, a partir de agora, um modelo permanente para a moda brasileira.
Fontes:
FFW | CNN Brasil | Agenda Carioca | CNN Brasil – SPFW N60