Alfredo Moreira Filho, empresário, pontua que a identificação de talentos sempre foi um dos pilares do desenvolvimento esportivo, especialmente em modalidades de alto rendimento como o voleibol. Durante décadas, essa missão esteve concentrada na experiência de treinadores e olheiros, responsáveis por observar características técnicas, físicas e comportamentais dos atletas. Com o avanço da inteligência artificial, um novo cenário começa a ganhar espaço.
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Como a inteligência artificial está mudando a descoberta de atletas?
Tradicionalmente, a identificação de talentos dependia da presença de observadores em campeonatos, treinamentos e competições de base. Embora esse modelo continue relevante, ele apresenta limitações naturais, já que nenhum profissional consegue acompanhar simultaneamente um grande número de atletas espalhados por diferentes regiões. A inteligência artificial amplia esse alcance ao processar informações provenientes de vídeos, estatísticas e plataformas de desempenho, permitindo análises muito mais abrangentes.
Segundo Alfredo Moreira Filho, os algoritmos conseguem identificar padrões que muitas vezes passam despercebidos durante uma avaliação convencional. Velocidade de deslocamento, eficiência nos fundamentos, evolução técnica ao longo das temporadas, regularidade nas partidas e capacidade de adaptação tática são alguns dos indicadores que podem ser avaliados automaticamente. Em vez de substituir o olhar técnico, essas análises oferecem uma base objetiva para direcionar a atenção dos profissionais aos atletas com maior potencial.
Outro benefício importante está relacionado à redução de vieses na seleção inicial. Como a análise é baseada em indicadores mensuráveis, aumenta a possibilidade de descobrir jogadores que atuam em regiões menos conhecidas ou que ainda não participaram de grandes competições. Dessa forma, a tecnologia contribui para ampliar o universo de observação e democratizar o acesso às oportunidades dentro do esporte.
A análise de dados é suficiente para revelar um grande jogador?
Apesar da capacidade de processar grandes volumes de informações, a inteligência artificial ainda encontra limites quando precisa interpretar aspectos essencialmente humanos. Características como liderança, disciplina, capacidade de trabalhar em equipe, equilíbrio emocional e comprometimento dificilmente podem ser avaliadas apenas por números. Esses elementos exercem influência direta no desenvolvimento esportivo e continuam sendo observados atentamente por treinadores e comissões técnicas.
Alfredo Moreira Filho destaca que o processo de formação de atletas envolve muito mais do que desempenho estatístico. A evolução ao longo do tempo, a disposição para aprender, a capacidade de lidar com pressão e a adaptação a diferentes contextos competitivos fazem parte de uma avaliação ampla, construída por meio da convivência diária. Essas informações complementam os dados fornecidos pelos sistemas inteligentes e ajudam a formar uma visão mais completa sobre o potencial de cada jogador.
Qual será o papel dos olheiros no futuro?
O avanço da inteligência artificial não reduz a importância dos olheiros, mas modifica sua atuação. Em vez de dedicar grande parte do tempo à busca inicial de atletas, esses profissionais passam a trabalhar com informações mais qualificadas, concentrando esforços na análise detalhada daqueles que apresentam maior potencial. A tecnologia funciona como um filtro inteligente, enquanto a decisão final permanece fundamentada na experiência e no conhecimento técnico.
Esse novo modelo também favorece uma integração mais próxima entre diferentes áreas das equipes esportivas. Analistas de desempenho, preparadores físicos, treinadores e profissionais especializados em ciência do esporte podem compartilhar informações em tempo real, criando um processo de avaliação mais completo e baseado em múltiplos critérios. De acordo com Alfredo Moreira Filho, essa colaboração aumenta a qualidade das decisões relacionadas ao recrutamento e ao desenvolvimento dos atletas.
À medida que novas tecnologias evoluem, a tendência é que inteligência artificial e avaliação humana atuem de forma cada vez mais integrada. O sucesso das equipes dependerá da capacidade de combinar precisão analítica com sensibilidade para compreender características que ainda escapam aos algoritmos. Essa união entre dados e experiência tende a fortalecer a formação de talentos e elevar o nível competitivo do voleibol.