A imagem que cada pessoa terá de si mesma aos 70 ou 80 anos está sendo desenhada agora, nas decisões aparentemente comuns do presente. O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, explica que o corpo guarda a memória de tudo aquilo que recebe, do alimento ao descanso, do movimento ao estresse. Pensar na velhice quando ela ainda parece distante não é pessimismo, e sim planejamento.
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O que significa investir em reserva de saúde?
Assim como uma poupança financeira oferece segurança diante de imprevistos, o corpo também acumula uma espécie de reserva, demonstra Yuri Silva Portela. Músculos fortalecidos na idade adulta funcionam como um estoque para os anos em que a perda natural se acelera. Ossos densos, cérebro estimulado e sistema cardiovascular saudável compõem esse patrimônio biológico que sustentará a autonomia mais tarde.
Quem chega à maturidade com boa reserva funcional resiste melhor a doenças, recupera-se mais rápido de eventuais quedas e mantém a independência por mais tempo. O contrário também é verdadeiro, pois um corpo negligenciado por anos chega frágil à velhice, com pouca margem para enfrentar adversidades. Construir essa reserva é uma tarefa que se inicia muito antes de qualquer sinal de envelhecimento, pontua Yuri Silva Portela.
Por que o acompanhamento deve começar antes da velhice?
Há um equívoco comum em acreditar que o cuidado especializado com o envelhecimento só faz sentido depois que os problemas surgem. Na prática, quanto mais cedo se adota um olhar atento à própria saúde, maiores as chances de envelhecer bem. Avaliações periódicas, controle de fatores de risco e ajustes de estilo de vida produzem efeitos que se somam ao longo das décadas. Essa abordagem preventiva permite preservar a capacidade funcional e reduzir a probabilidade de complicações que podem comprometer a qualidade de vida no futuro.

Segundo o doutor Yuri Silva Portela, esse acompanhamento contínuo permite corrigir rotas antes que pequenos desvios se tornem grandes obstáculos. Uma pressão levemente elevada, um sedentarismo que se instala, um sono cronicamente ruim, tudo isso pode ser endereçado com antecedência. Cuidar do futuro é, portanto, uma prática diária, feita de atenção e pequenas correções constantes. Ao longo do tempo, essas medidas ajudam a construir uma base mais sólida para um envelhecimento com autonomia, segurança e bem-estar.
Quais hábitos têm maior impacto na saúde ao longo das décadas?
Embora muitas pessoas procurem soluções rápidas para melhorar a qualidade de vida, os maiores benefícios para a saúde costumam vir de comportamentos simples mantidos de forma consistente. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e controle do estresse formam a base de um organismo mais resistente ao passar dos anos. São escolhas que, isoladamente, podem parecer pequenas, mas que acumulam efeitos significativos ao longo do tempo.
Outro hábito fundamental, frisado por Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, é manter a mente ativa e os relacionamentos preservados. Aprender novas habilidades, ler, participar de atividades culturais e cultivar vínculos familiares e sociais contribuem para a saúde cognitiva e emocional. A ciência tem mostrado que o cérebro responde positivamente aos estímulos contínuos, criando mecanismos de proteção que ajudam a preservar a memória e a capacidade de adaptação durante o envelhecimento.
O acompanhamento preventivo da saúde permite identificar precocemente fatores de risco que poderiam comprometer o futuro. Exames periódicos, vacinação atualizada e monitoramento de condições crônicas ajudam a evitar complicações e ampliam as possibilidades de intervenção quando necessário. Dessa forma, a velhice deixa de ser uma fase determinada apenas pelo passar do tempo e passa a refletir, em grande medida, as escolhas construídas ao longo da vida.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez