Emissora confirma reaproveitamento de roupas entre novelas como parte de política ambiental dos Estúdios Globo.
Um detalhe de estilo chamou atenção do público nas últimas semanas e acabou virando assunto oficial da própria Globo. Desde que a personagem Adriana, vivida por Letícia Colin em Quem Ama Cuida, deixou a cadeia na trama, telespectadores passaram a notar uma semelhança visual entre os looks dela e os da personagem Gerluce, interpretada por Sophie Charlotte em Três Graças. Blusas em tons de vinho e vermelho, modelagens parecidas e uma identidade visual bastante próxima levantaram a dúvida nas redes sociais: as duas novelas estariam reaproveitando as mesmas peças de figurino? A emissora não só confirmou a prática como transformou o episódio em uma campanha para explicar a estratégia por trás dessa escolha.
Como a semelhança entre os figurinos veio à tona
A repercussão começou de forma orgânica, com espectadores comentando nas redes sociais sobre a coincidência entre as roupas das duas protagonistas, que estão no ar simultaneamente em horários diferentes da grade da Globo. Segundo reportagem publicada pelo Portal Leo Dias, o assunto ganhou força suficiente para que a própria emissora decidisse se posicionar publicamente sobre o tema, em vez de deixar a especulação correr solta entre os fãs das duas tramas.
Em publicação nas redes sociais, a Globo brincou com a situação ao afirmar que as peças não são exatamente as mesmas, mas que poderiam ser, aproveitando o gancho para explicar uma prática que já faz parte da rotina de produção das novelas. A resposta bem-humorada agradou parte do público, que passou a acompanhar com curiosidade os próximos capítulos das duas tramas em busca de novas coincidências entre os guarda-roupas das personagens.
Esse tipo de repercussão não é incomum no universo das novelas, já que o público brasileiro costuma prestar atenção a detalhes de figurino com o mesmo interesse dedicado às tramas centrais. No caso específico de Adriana e Gerluce, a proximidade visual entre as duas se tornou ainda mais notada por acontecer justamente em um momento de virada dramática para ambas as personagens, o que aumentou o volume de comentários nas redes.
O que está por trás da política de reaproveitamento de figurinos
De acordo com a emissora, a explicação está diretamente ligada a uma política de sustentabilidade adotada pelos Estúdios Globo, que prevê a consulta obrigatória ao acervo interno de figurinos antes da compra de peças novas para qualquer produção. Esse acervo reúne roupas utilizadas em novelas e programas anteriores, permitindo que itens sejam reaproveitados em diferentes contextos e personagens, o que reduz a necessidade de aquisição constante de novos materiais e diminui o impacto ambiental da produção audiovisual.
A sigla ESG, que reúne os pilares ambiental, social e de governança corporativa, orienta boa parte das diretrizes internas dos Estúdios Globo relacionadas à produção de figurinos. Segundo as informações repassadas pela emissora, quando surge a necessidade de comprar peças novas, a orientação interna é priorizar brechós e fornecedores de menor impacto ambiental, além de dar preferência a tecidos produzidos de forma mais sustentável.
O guia interno da emissora também recomenda o planejamento cuidadoso das provas de roupa, de modo a evitar deslocamentos desnecessários da equipe, e reforça a preferência por fibras naturais e materiais reciclados sempre que possível. Essas diretrizes não são exclusivas de Quem Ama Cuida ou Três Graças, mas aplicadas de forma ampla a todas as produções dos Estúdios Globo, o que ajuda a explicar por que coincidências como essa tendem a se repetir entre diferentes tramas ao longo do tempo.
Por que esse tipo de discussão importa para o público de moda e TV
Embora a Globo não tenha confirmado publicamente que as peças usadas por Adriana e Gerluce sejam exatamente idênticas, a repercussão do episódio serviu justamente para reforçar o objetivo por trás da campanha: mostrar ao público que o reaproveitamento de figurinos é uma prática consciente e institucionalizada, e não um erro de produção ou falta de recursos. Esse tipo de comunicação também ajuda a aproximar a emissora de um público cada vez mais atento a questões de sustentabilidade e consumo consciente.
Casos como esse mostram como o figurino de novela deixou de ser apenas um detalhe estético de bastidor para se tornar parte do próprio conteúdo discutido pelo público nas redes sociais. A repercussão em torno da semelhança entre Adriana e Gerluce evidencia o quanto os telespectadores prestam atenção aos detalhes visuais das tramas, muitas vezes tratando o figurino quase como um personagem à parte dentro da narrativa.
Além disso, o episódio reforça uma tendência mais ampla de emissoras de TV aberta buscarem alinhar suas produções a discursos de sustentabilidade, especialmente em um momento em que o consumo consciente ganha espaço tanto no mercado de moda quanto no comportamento do público em geral. A estratégia de transformar uma possível crítica em oportunidade de comunicação também mostra como a Globo tem trabalhado sua imagem institucional junto ao público mais jovem, que costuma valorizar marcas e produções alinhadas a causas ambientais.
Para quem acompanha de perto o universo das novelas e sua relação com tendências de estilo, o caso de Quem Ama Cuida e Três Graças serve como um lembrete de que, por trás de cada figurino exibido na tela, existe uma cadeia de decisões que vai muito além da estética, envolvendo também estratégias de produção e responsabilidade ambiental por parte da emissora. A tendência é que episódios semelhantes voltem a acontecer entre outras produções da casa, já que o acervo de roupas segue em constante circulação entre diferentes novelas e horários.
Fontes consultadas:
https://portalleodias.com/colunas/carla-bittencourt/semelhanca-entre-figurinos-de-adriana-de-quem-ama-cuida-e-gerluce-tem-explicacao