“Costume Art”, do Costume Institute, reúne peça de designer paulistana ao lado de obras de cinco mil anos de história da arte.
O Metropolitan Museum of Art, em Nova York, mantém em cartaz desde maio uma das exposições de moda mais comentadas do ano: “Costume Art”, assinada pelo curador Andrew Bolton e aberta ao público até janeiro de 2027 nas novas galerias Condé M. Nast do museu. Entre as quase 400 peças reunidas, está um trabalho da estilista brasileira Renata Buzzo, tornando-a a única representante nacional na mostra. Para quem acompanha o cruzamento entre moda, arte e estética, a curiosidade natural é entender como uma criação brasileira chegou a dividir espaço com obras históricas do acervo permanente de um dos museus mais importantes do mundo.
O que é a exposição Costume Art e por que ela é diferente
A proposta de Andrew Bolton para a exposição deste ano rompe com o formato tradicional das mostras do Costume Institute, que costumam se concentrar em um estilista, uma época ou um tema específico da moda. Desta vez, o curador optou por cruzar peças de vestuário histórico e contemporâneo com obras de arte de diferentes períodos, cobrindo cerca de cinco mil anos de produção artística do acervo do museu, que reúne aproximadamente 1,5 milhão de itens distribuídos por 17 departamentos.
Entre os destaques está um terno criado por Glenn Martens para a Y/Project, em colaboração com Jean Paul Gaultier, exibido ao lado de uma estátua de mármore de Diadoumenos datada dos séculos I e II depois de Cristo, além de um conjunto da Comme des Garçons, de Rei Kawakubo, colocado em diálogo direto com a escultura cubista Figure in Rotation, do artista Max Weber. Outro cruzamento marcante reúne um vestido de passeio de 1883 ao lado de um estudo de Georges Seurat para a pintura “A Sunday on La Grande Jatte”, reforçando a proposta central da curadoria de tratar moda e arte como linguagens equivalentes.
Segundo explicou o próprio Bolton, a organização da mostra segue a ideia de “tipos de corpo” temáticos, divididos em categorias que vão do corpo clássico e do nu ao corpo envelhecido, ao grávido e ao anatômico, entre outros recortes menos explorados pela história tradicional da arte. Os manequins utilizados na exposição foram desenvolvidos pela artista Samar Hejazi e têm cabeças com superfícies espelhadas, convidando o visitante a se ver refletido nas peças expostas, um recurso pensado para reforçar a conexão entre corpo e vestuário que estrutura toda a curadoria da mostra.
A presença de Renata Buzzo entre nomes históricos da moda
Em meio a criações de nomes consagrados como Mariano Fortuny, Charles James e Riccardo Tisci para a Givenchy, a exposição reserva um espaço para a coleção “Anatomia do Corset”, da estilista brasileira Renata Buzzo, apresentada originalmente na temporada de primavera e verão de 2025. A peça representa uma abordagem visceral do corpo feminino, dialogando diretamente com a proposta curatorial de tratar a moda como experiência corporal e não apenas visual.
Segundo reportagem publicada pela revista Exame, a própria designer comemorou a conquista em suas redes sociais, descrevendo a sensação de ver uma peça que nasceu de um trabalho autoral e independente passar a integrar o acervo permanente de um dos museus mais visitados do mundo. A repercussão da notícia entre o público brasileiro reforçou o orgulho em torno de uma conquista que extrapola o mercado nacional de moda e ganha projeção internacional.
A presença de Buzzo na mostra reforça um movimento que vem ganhando força nos últimos anos, de maior abertura de museus internacionais para nomes da moda autoral latino-americana, historicamente menos representados em exposições desse porte. Isso também dialoga com a repercussão do Met Gala 2026, evento cuja arrecadação sustenta financeiramente as atividades do Costume Institute, e que teve como tema justamente “Moda é Arte”, inspirado diretamente no conceito central da exposição.
Como acompanhar a exposição e seu impacto no debate sobre moda e arte
A cerimônia do Met Gala reuniu celebridades internacionais em looks assinados por casas como Schiaparelli, Loewe e Dior, todas em diálogo com a proposta de aproximar moda e produção artística tradicional. O baile, realizado sempre na primeira segunda-feira de maio, segue sendo a principal fonte de arrecadação para as atividades do Costume Institute ao longo do ano, incluindo aquisições, publicações e a própria manutenção das exposições abertas ao público.
A mostra “Costume Art” segue em cartaz nas galerias do Metropolitan Museum of Art até o dia 10 de janeiro de 2027, ocupando um espaço de quase 12 mil pés quadrados nas novas Galerias Condé M. Nast, inauguradas especialmente para receber a exposição. O projeto foi viabilizado com apoio financeiro do casal Jeff Bezos e Lauren Sánchez Bezos, além de aportes adicionais das marcas Saint Laurent e Condé Nast, e representa um dos maiores investimentos recentes do museu em iniciativas ligadas à moda.
Para além do aspecto histórico, a exposição alimenta um debate recorrente no universo da moda e das artes visuais: até que ponto o vestuário pode ser tratado com o mesmo peso cultural atribuído tradicionalmente à pintura e à escultura. A presença de uma estilista brasileira nesse recorte reforça a relevância internacional da moda autoral nacional, servindo como referência para quem acompanha de perto o cruzamento entre estética, cultura e mercado criativo no Brasil e no exterior. A expectativa é que a repercussão em torno de Renata Buzzo continue impulsionando o interesse do público brasileiro pela mostra até o encerramento, em janeiro do próximo ano.
Fontes consultadas:
https://exame.com/casual/a-unica-estilista-brasileira-presente-na-mostra-do-met-gala-2026/
https://forbes.com.br/forbes-life/2026/07/das-vitrines-aos-museus-as-melhores-exposicoes-de-moda-em-2026/
https://exame.com/casual/costume-art-a-exposicao-que-esta-por-tras-do-met-gala-2026/