Daniel Mors, presidente fundador da Golden Brasil e empresário especialista em negócios com minérios, ressalta que boa parte das joias vendidas como ouro não é conferida pelo comprador antes da negociação, apesar de existirem sinais simples capazes de indicar se o teor anunciado é real. Nem toda joia vendida como ouro tem, de fato, a quantidade de metal que promete, e diferenças de composição entre peças aparentemente semelhantes explicam por que duas joias do mesmo tamanho podem valer preços completamente diferentes na hora da revenda.
A seguir, veja os sinais e testes que ajudam a confirmar se uma joia realmente tem o teor de ouro anunciado.
Por que a marcação gravada na peça é o primeiro sinal a observar?
Toda joia de ouro legítima costuma trazer uma marcação numérica gravada em algum ponto discreto da peça, geralmente 999, 750, 585 ou 375. Esses números representam a proporção de ouro puro presente na liga: 999 equivale a ouro quase puro, 24 quilates; 750 corresponde a 75% de ouro, o padrão de 18 quilates mais usado em joalheria fina; 585 indica 14 quilates; e 375, apenas 9 quilates, quantidade bem menor de metal precioso.
Segundo Daniel Mors, essa marcação é o primeiro ponto de checagem antes de qualquer teste mais elaborado, já que sua ausência completa em uma peça vendida como ouro já é, por si só, um sinal de alerta que merece investigação mais cuidadosa.
Testes simples que ajudam a checar em casa
Além da marcação, alguns testes caseiros ajudam a levantar suspeitas iniciais sobre a autenticidade de uma peça. O teste do ímã é um dos mais simples: como o ouro não é um metal magnético, uma joia genuína não deve ser atraída por um ímã comum. Caso a peça grude ou seja puxada, é sinal de que ela contém outros metais em quantidade significativa.
Outro teste acessível é o de densidade, que compara o peso da peça no ar com seu peso submersa em água. O ouro puro tem densidade de aproximadamente 19,3 gramas por centímetro cúbico, enquanto uma liga de 18 quilates apresenta densidade um pouco menor, ao redor de 15,5 a 17,5 gramas por centímetro cúbico. Esses testes servem como triagem inicial, mas nenhum deles isoladamente é definitivo o suficiente para confirmar com certeza absoluta o teor real da peça.

Por que testes caseiros não substituem avaliação profissional?
Testes com ácido nítrico, usados por joalheiros e casas de avaliação, também ajudam a confirmar a pureza: o ácido não reage com ouro genuíno, mas dissolve rapidamente metais como cobre e prata presentes em ligas de menor qualidade ou em peças apenas banhadas. Esse tipo de teste, no entanto, exige manuseio adequado do reagente e experiência para interpretar corretamente o resultado, o que reforça a importância de recorrer a um profissional para esse tipo de verificação.
Para Daniel Mors, o ideal é tratar os testes caseiros como uma primeira filtragem, não como veredito final: peças de valor mais alto, ou com histórico de procedência incerta, merecem avaliação de um profissional qualificado, equipado com instrumentos de precisão que testes domésticos não conseguem reproduzir com a mesma confiabilidade.
O que essa verificação evita na hora de comprar ou vender?
Confirmar o teor de ouro de uma joia antes de fechar uma negociação evita dois tipos de prejuízo: pagar um valor alto por uma peça com teor inferior ao anunciado, ou vender uma joia genuína por um preço menor do que ela realmente vale, por falta de comprovação técnica adequada. Em ambos os casos, quem perde é sempre quem não teve acesso à informação correta antes da negociação.
Daniel Mors reforça que esse cuidado se torna ainda mais relevante em operações que envolvem valores mais expressivos, como venda de joias de família ou aquisição de peças como parte de uma estratégia patrimonial, situações em que um erro de avaliação pode representar uma diferença financeira considerável. Verificar o teor de ouro, portanto, não é burocracia desnecessária, mas parte essencial de qualquer negociação que trate a joia como o que ela realmente é: um ativo com valor mensurável, não apenas um objeto de valor estético.